
Hipnotismo de luz pelas arestas das manhãs
passadas nos rios que nos banham,
hipopótamos gigantes reconfortados com a lama do paraíso.
Botões, écrans e papéis. Discursos e campainhas.
Campanhas de automóveis de fumo no bebedouro dessa aldeia
pintada de baton que embeleza a saúde.
Raízes destroçadas, canos entupidos, electricidade inconstante.
Vidros partidos, sabor a aperitivos, sacos de espuma elástica,
pastilhas, olivais abatidos, tesouras de coito interrompido,
ceroulas penduradas nas janelas, telhados de vidro - estaladiço.
Bicas de almoço e cigarros de incenso:
a química das coisas é o cerne do conhecimento.
Lâmpadas claras noite dentro iluminam caras
debruçadas sobre mesas, num convento.
Semáforos cinzentos, dias mundiais do envelhecimento,
muralhas semiderrubadas pelo vento.
Linhas de alta velocidade com o rápido destino
da capital, terramoto dos acontecimentos.
Somos nós que nos amamos; Somos egoístas...
Alexandre Reis (x)