Um rio nasce do nada, tal como as estrelas são douradas e o fogo é incandescente. A água corre, enrola-se e serpenteia. Da nascente até à foz. A vida inteira.

Para pensar

domingo, 28 de outubro de 2007

Restos



Já nada resta aqui.
Partiram todos para o outro lado do rio,
faz muito tempo.
Despeço-me hoje e volto amanhã
porque haverá menos gente.
Não interessa procurar,
estão todos no devido lugar
e nada me pertence.



Já se foram embora.
O sino toca a toda a hora
para avisar da solidão que me espera.
É tão tarde por ser assim,
nem há Primavera que me alegre
estou sozinho, enfim.

Ouvem-se os gritos daquela miúda
que sabe tudo quanto há-de ter,
que escolhe quem amar
para nem sequer ter prazer...
Sempre me enganei por estar certo
neste eterno espaço aberto
onde um dia entrei.
Que me resta fazer por cá,
senão procurar aquilo que não há
e com sempre sonhei?


Alexandre Reis (K3)

2 comentários:

soraya disse...

Achei seu poema triste, nostalgico, mas mesmo assim, muito lindo!
A vida, é feita de vindas e idas.
Beijos.

Ji... disse...

Olá Alexandre!!!
Estava lendo teu blog...
Gostei muito... Me inspira...
Me identifiquei muito com ele... Adorei todos os teus poemas, esse em especial!!!
Beijos...