Um rio nasce do nada, tal como as estrelas são douradas e o fogo é incandescente. A água corre, enrola-se e serpenteia. Da nascente até à foz. A vida inteira.

Para pensar

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Lágrimas do Mondego



Enquanto o encanto não passa
deixo o rio que me atravessa
e escrevo numa folha de plátano
o destino de lágrimas presas.
Envolvo em asas a memória perdida:
vejo em pormenores a luz da vida
e a sombra do instante.
Quebro a fantasia e parto de madrugada,
encontro nas lágrimas do Mondego
as ninfas da História
que ficou parada.

Mil fontes me rodeiam:
água de amor, de guerra bebidas,
topázio e bohémia.
Qual infante de capa e batina vestidas,
pelas ruas vazias, despidas,
à Lusa Atenas me entrego.
Cidade ruína, futuro de Academia,
de ti caem lágrimas ao Mondego,
de longa História e Roma Antiga,
guardadas no cais, em segredo,
nos olhos de rapariga.

Alexandre Reis (F11)

3 comentários:

Sman disse...

Lindas, Alex, as suas lágrimas...belíssimo poema!

Cumprimentos,

S.

Alexandre Reis disse...

Muito obrigado pelo 1º comentário que aqui me chegou.
Estou a iniciar-me no mundo dos blogs e resolvi ir ao baú rebuscar e até já estou a criar novamente.

Sman disse...

Continue, Alexandre, estou a gostar muito dos seus textos.

Um abraço,

Saturnino