Um rio nasce do nada, tal como as estrelas são douradas e o fogo é incandescente. A água corre, enrola-se e serpenteia. Da nascente até à foz. A vida inteira.

Para pensar

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Sou


Pintura de Magritte

Sou louco
sou trouxa
sou tudo o que queres, eu sei!
Sou ridículo,
estranho talvez,
mas sou o homem que Deus me deu.
Sou as letras que construo e desfaço
sou as histórias que não conheces,
sou homem, não sou PERFEITO!

Alexandre Reis

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

MagiaDeSer



Se da vida tirar a magia
de um saco à minha medida
não faltarão linhas
que o prendem ao infinito.
Não posso consertar a rotina
que descobre em cada esquina
o encontro do Ser.
Nem tão pouco o faz-de-conta
que tanto ou nada importa
se de conta fizer.

Alexandre Reis

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Cereja



Cereja
cálice vermelho de prazer
sensualidade em veludo
sede de tocar.
Lábios de desejo
que debatem provocações,
causam sufoco de emoções
e beijos de sedução.

Vou trincar a haste tenra e fina
que desprende a cereja para a vida.

Alexandre Reis

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Suave



Tão suave
a pele que ninguém sabe,
o encanto que em ti cabe
por ser assim.
Suave,
a onda que te invade,
a brisa fresca da tarde
que arde em ti.

Liberdade,
eterna chama sentida
no destino da vida
que já perdi.
Cidade,
eu fico à espera
que nasça a Primavera
que construi.

Alexandre Reis

domingo, 2 de setembro de 2007

As mãos

De Eugénio de Andrade



Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sequer são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono.

Pela noite adiante,com a morte na algibeira
cada homem procura um rio para dormir
e, com os pés na lua ou num grão de areia,
enrola-se no sonho que lhe quer fugir.

Cada sonho morre às mãos doutro sonho.
Dez réis de amor foram gastos a esperar;
O céu que nos promete um anjo bêbado
é um colchão sujo num quinto andar.